ano 1 número 7 / outubro 2008 

:: Maria Luiza Oswald ::   < Editorial >

Convidamos os leitores a compartilhar conosco a sétima edição do Jornal Redes Educativas e Currículos Locais. O termo compartilhar está grifado porque este não é um jornal para ser lido apenas em busca de informações. O "Redes", como o nome já diz, não foi idealizado para ser um veículo informativo ou prescritivo, mas como um meio capaz de promover o encontro de professores, que atuam nas escolas estaduais e municipais e na UERJ, em torno do debate sobre questões curriculares atuais. Essa natureza interativa do "Redes" já supõe colocar em xeque a idéia corrente segundo a qual a universidade pensa e as escolas praticam.

Em tempos de revolução tecnológica, como o que vivemos, essa idéia é descabida: fomos todos pegos de surpresa pela rapidez das mudanças que as inovações tecnológicas vêm impondo à educação. A incerteza de como proceder com as gerações mais novas, nativas tecnológicas, nos une a todos. Com uma certa vantagem para os professores da educação infantil e dos anos iniciais que, muitas vezes, estão geracionalmente mais próximos dos alunos do que os professores universitários. Isso para dizer que os colaboradores deste jornal, enquanto professores que são, comungam da perplexidade de não saber bem o que fazer diante da constatação de que realmente a escola precisa se mexer para acompanhar a revolução cultural que, incindindo sobre as modos de ser de crianças e jovens, não pode certamente deixar de afetar as maneiras de pensarmos os currículos e as diferentes formas de praticá-los. Os textos aqui presentes tanto representam o esforço que vimos empreendendo para pensar a renovação das práticas escolares numa perspectiva alteritária, como apontam para o fato de que não acreditamos que a "velha" escola em que estudamos seja um monumento do passado que precisa ser demolido.

O apagamento da História, e das histórias que a ensejam, não vai garantir que o novo instaurado se erga promissoramente. Por tudo isso, precisamos que as palavras presentes nesse jornal sejam percebidas como iscas. Precisamos que os leitores mordam as iscas e tragam suas histórias para trocarem com as nossas. Juntos havemos de dar um jeito para superar nossa perplexidade, e para pensar um “novo” que, não sendo o mesmo que se repete indefinidamente, tenha potência para democratizar a escola.

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√ Maria Luiza Oswald: Doutora em Educação pela PUC-Rio; Professora da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ.

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