![]() ano 2 número 13 / agosto 2009 |
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:: Edna Abreu Barreto :: < Políticas Curriculares e Projetos Educacionais > OS COMPLEXOS PROCESSOS DE PRODUÇÃO DE TEXTOS CURRICULARES A perspectiva de compreender o currículo como campo cultural, sujeito a conflitos e disputas em torno da produção de determinados significados simbólicos, tem aberto a possibilidade de superar a idéia de poder, linear e determinista, que em muitos momentos presidiu a análise de políticas de currículo. As políticas de currículo, inseridas no terreno precário e contingente da luta política por hegemonias, passam a ser vistas como constituídas por complexos processos de produção. Esses processos incluem desde a disputa de grupos políticos para influenciar as finalidades sociais da educação, como os acordos para produzir representações da política e as recriações e reelaborações que as práticas produzem nos textos curriculares. Isso leva a considerar que, na análise e interpretação dos discursos curriculares, as determinações oficiais não devem ser tomadas como aquelas que definem, em última instância, os processos de produção das políticas, pois não existe uma separação absoluta entre o que é produzido no contexto oficial e em outros contextos. Os textos políticos são vistos como produtos culturais resultantes de processos permanentes de posições de sentidos negociados e não como textos que direcionam as práticas, ainda que existam tentativas de regulação e controle (LOPES, 2005). Na busca por acordos e legitimação simbólica, os textos das políticas produzem discursos híbridos e ambivalentes, sendo que a consequência desse processo não é a existência de adulteração de textos supostamente originais, mas a produção de novos sentidos que cumprem finalidades sociais distintas. Em que pese essa configuração, é importante ressaltar que esse processo não implica a adoção de qualquer sentido pelos textos das políticas curriculares, pois não é qualquer objeto cultural que se permite hibridizar (LOPES, 2004, 2005). As políticas curriculares podem, então, ser consideradas como textos incompletos, na medida em que envolvem práticas diversas e contextos os mais variados, misturando-se elementos distantes e locais. Assim, as complexas relações que compõem os processos de reforma curricular devem ser analisadas ao longo do tempo, considerando uma gama de elementos dispersos. Com tais premissas é possível afirmar que existe um amplo processo de investigação a ser construído que pode possibilitar uma teorização menos homogênea e unilateral sobre políticas de currículo. Permitem, ao mesmo tempo, considerar as tensões entre global-local no contexto do mundo globalizado que não pode mais ser entendido por pares binários. Considerar de forma relacional e complexa os efeitos da globalização cultural em políticas de currículo permite, ainda, ampliar as possibilidades de análise construindo leituras diversas sobre os vários processos que desembocam em determinados textos curriculares. Com isso, também se criam as condições de que outros sentidos possam ser produzidos nos textos curriculares, participando da luta pela significação da política cultural. . . . . . . . . . . .
√ Edna Abreu Barreto: Professora do curso de Pedagogia no Instituto de Educação da Universidade Federal do Pará. Doutora em Educação pela Universidade Federal Fluminense.
Referências bibliográficas (ou textuais): • BALL, S. Cidadania global, consumo e política educacional. In: SILVA, L. H. da (Org.). A escola cidadã no contexto da globalização. Petrópolis: Vozes, 1998. • LOPES, Alice. Políticas de currículo: continuidade ou mudança de rumos? Revista Brasileira de Educação. ANPED. n. 26, mai/ago. Rio de Janeiro, 2004. • __________. Discursos curriculares na disciplina escolar química. Ciência e Educação, v.11 n. 2. 2005. |