![]() ano 2 número 13 / agosto 2009 |
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:: Flavia M. Santos¹, Juliana R. O. Souza² e Flávia M.B.Araujo³ :: < Culturas e Conhecimentos Disciplinares > NA SALA DE AULA COM DURKHEIM: A SOCIOLOGIA NO ENSINO
O estudo da Sociologia no Ensino Médio pode colaborar para compreensão das relações entre indivíduo e sociedade, assim como das dinâmicas e mecanismos que organizam a vida social. A inclusão da sociologia na escola secundária data do século XIX quando, por influência da disseminação das idéias positivistas, a matéria passou a fazer parte do currículo escolar. Ao longo do século XX, a permanência da disciplina não foi garantida, oscilando de acordo com o contexto político. Recentemente, em 2006, por força de uma legislação federal, a sociologia retornou como disciplina obrigatória ao Ensino Médio, ao lado da Filosofia. A sua presença, entretanto, não garante a realização dos alardeados objetivos preconizados pelos seus defensores. Esse processo exige que os docentes construam propostas que garantam não só o interesse dos alunos, mas que ativem também o seu potencial crítico, superando as práticas voltadas para mera apresentação das teorias sociais clássicas. Coloca-se, portanto, a necessária reflexão em torno dos eixos que podem nortear o desenvolvimento da disciplina na educação básica. Em 2006, o Ministério da Educação elaborou as Orientações Curriculares Nacionais (OCN) para a sociologia. O documento busca refletir sobre a importância da disciplina e apresenta orientações para o desenvolvimento do currículo e das práticas pedagógicas. Segundo as OCN, a Sociologia pode desempenhar um papel central na formação da visão que o aluno tem do mundo, contribuindo para a formação do raciocínio crítico. Para consecução desses objetivos, o documento destaca duas estratégias para a abordagem dos conteúdos. A primeira é a desnaturalização das concepções ou explicações dos fenômenos sociais. O ensino deve recuperar a historicidade dos fenômenos, observando que as mudanças ou continuidades sociais decorrem de decisões advindas de interesses e não de tendências naturais ou metafísicas. A segunda é o estranhamento, isso é a constatação de que os fatos sociais não são passíveis de conhecimento imediato. (Brasil, 2006) As OCN (Brasil, 2006) assinalam, ainda, que as propostas programáticas não possuem unidade, apesar de apresentarem tópicos comuns. O documento oficial reconhece que não há um corpus consensualmente definido e consagrado para o ensino de sociologia, embora indique três caminhos que podem ser percorridos pelos professores para a elaboração do currículo. A idéia é oferecer pontos de partida que, de acordo com a realidade local, possam ser desenvolvidos nas salas de aula. Uma das propostas é a ênfase nos conceitos, o que significa dizer que o professor é o responsável por realizar uma tradução da linguagem científica, articulando os seus significados e contextualizando-os historicamente. As OCN sugerem que categorias como: indivíduo, sociedade, trabalho, produção, classe social, poder, dominação, ideologia, cultura e mudança social, sejam trabalhadas conceitualmente pelos professores. Outra maneira de desenvolver o currículo é através de temas, adequando a escolha desses ao contexto de vida dos alunos e aos seus interesses, tendo em vista que estes não podem ser tratados sem o recurso a conceitos e a teorias. O docente pode trabalhar temáticas tais como: questão racial, etnocentrismo, preconceito, violência, sexualidade, gênero, meio ambiente, cidadania, direitos humanos, religião e religiosidade, movimentos sociais e meios de comunicação de massa. O terceiro recorte proposto é focar nas teorias clássicas (Marx, Weber e Durkheim) e contemporâneas, mas considerando-as como modelos explicativos e não como retratos, ou espelhos da realidade. Nesse sentido, os autores precisam ser inseridos nas escolas de pensamento a que pertencem e precisam ser contextualizados historicamente. Esses processos possibilitariam o conhecimento da história do pensamento sociológico, pelos alunos. Acreditamos, entretanto, que o estudo dos clássicos deve ser ministrado como estratégia para compreensão da realidade, indo além das aulas expositivas sobre Durkheim ou Marx. Lembramos que os documentos oficiais auxiliam na elaboração dos programas curriculares, mas não constituem a única referência utilizada pelos professores para construção de suas práticas pedagógicas. Em seu cotidiano, eles interpretam e moldam as orientações formuladas pelas instâncias governamentais (Osga, 2000). Nessa perspectiva, há uma tensão entre os objetivos das propostas e o modo como as coisas acontecem nas escolas. No dia-a-dia, os professores recriam as prescrições curriculares, elaborando, de certa forma, uma “jurisprudência” a partir dos textos oficiais. É importante destacar que qualquer que seja o caminho para a efetivação do ensino de Sociologia é necessária à realização da pesquisa: “A pesquisa deve estar presente nos três recortes, ou seja, ela pode ser um componente muito importante na relação dos alunos com o meio em que vivem e com a ciência que estão aprendendo. Assim, partindo de conceitos, de temas ou de teorias, a pesquisa pode ser um instrumento importante para o desenvolvimento da compreensão e para explicação dos fenômenos sociais” (Brasil, 2006. pp. 125 e 126). . . . . . . . . . . .
√ Flavia M. Santos¹, Juliana R. O. Souza² e Flávia M.B.Araujo³: ¹Aluna da licenciatura em Ciências Sociais/UFF
Referências bibliográficas (ou textuais): • BRASIL. MEC. SEMTEC. Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Ciências Humanas e suas tecnologias, 2006. • OSGA, Jennifer. Investigação sobre políticas educacionais. Porto, Porto Editora: 2000. • TENÓRIO, N. C. Ensino no Brasil: da República Velha à Reforma Francisco Campos – Uma releitura. Revista Espaço Acadêmico - online, n° 92, 2009. • SILVA, I. L. F. A Sociologia no Ensino Médio: Os Desafios Institucionais e epistemológicos para a consolidação da disciplina. Cronos, Natal, v. 8, p. 403-427, 2007. |