ano 2 número 13 / agosto 2009 

:: Thais Vianna Maia ::   < Culturas Locais >

A ESCOLA COMO ESPAÇO DE MANIFESTAÇÃO CULTURAL

A observação do cotidiano escolar nos revela valiosas experiências que nos incitam a refletir sobre as práticas pedagógicas realizadas no ambiente escolar. Este olhar para o cotidiano não pode apenas esgotar-se na verificação de seus problemas, e sim estar conectado ao que é vivido e refletido em cada escola. (TURA, 2000)

Com a observação de uma turma dos anos iniciais do Ensino Fundamental, de uma escola municipal de São Gonçalo/ RJ foi possível perceber que as crianças traziam para a sala de aula aspectos de sua cultura, visivelmente percebidos em suas ações e falas. Um exemplo era um passo de dança que alguns alunos, principalmente os meninos, faziam em sala de aula, conhecido como “frevo do funk”. Alguns o faziam andando em sala de aula, de uma carteira a outra.

Houve uma situação, em que a professora havia saído de sala, e como na maioria das vezes que isso acontecia alguns alunos levantaram-se e começaram a fazer alguns desses passos de dança. A coordenadora entrou na sala e os viu dançando, então disse: “já sei quem vai dançar frevo na festa do folclore!” apontando para o menino que dançava. Num primeiro momento, o menino ficou apreensivo, pois já sabia que ali não era lugar de dançar e já haviam chamado a sua atenção para isso outras vezes. No entanto, a coordenadora pediu que eles continuassem dançando, para ensinarem a ela. A surpresa foi grande e todos riram.

Esta atitude de valorizar a cultura dos alunos trazida por eles para a sala de aula e a tentativa de realocá-las na dinâmica das atividades do cotidiano da escola revela-se como uma possibilidade de trabalhar a diferença em sala de aula. No entanto, é necessário cuidar para que nossas atitudes não reforcem o estereótipo transformando elementos e características culturais dos alunos em “uma entrada folclórica, caracterizada por um percurso turístico de costumes, e escolarizada, que converte a diversidade cultural em um almanaque que engrossa a lista de festejos escolares”. (SKLIAR & DUSCHATZKY apud CANDAU 2006: 44).

A diferença faz-se presente no cotidiano escolar e revela-se enquanto questão a ser pensada pelo professor. Nossas práticas educativas devem permitir o diálogo entre as diferentes manifestações culturais e as atividades da escola. Com isso, esperamos que esta seja uma contribuição para ampliarmos nosso olhar para a escola e para o que nela se passa, levando em consideração as diferenças culturais dos atores envolvidos neste processo educativo e buscando, assim, aprimorar nossa prática educativa.

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√ Thais Vianna Maia: Aluna da Faculdade de Educação/UERJ e bolsista de IC, no GRPesq “Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura”.

 

Referências bibliográficas (ou textuais):

• CANDAU, Vera. O /A Educador/a como agente cultural. In: ALVES, M. P. C. LOPES, A.C, MACEDO, E. F.(Orgs.) Cultura e Política de Currículo. Araraquara, SP: Junqueira &Marin Editores, 2006.

• TURA, Maria de Lourdes R. O olhar que não quer ver: histórias da escola. Petrópolis,Vozes, 2000.

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