ano 2 número 11 / maio 2009 

:: André Brown ::   < Culturas e Imagens >

OFICINA DE FANZINES COMO PRÁTICA DE ENSINO

Realizei junto aos meus alunos da Faculdade de Educação da UERJ , na disciplina Tecnologias em educação , oficinas de fanzines . Segundo Guimarães,

de um modo geral o ‘fanzine’ é toda publicação feita pelo fã. Seu nome vem da contração de duas palavras inglesas e significa literalmente 'revista do fã' (‘fanatic magazine’). Alguns estudiosos do assunto consideram fanzine somente a publicação que traz textos, informações, matérias sobre algum assunto. Quando a publicação traz produção artística inédita seria chamada Revista Alternativa. No entanto, o termo fanzine se disseminou de tal forma que hoje engloba todo tipo de publicação que tenha caráter amador, que seja feita sem intenção de lucro, pela simples paixão pelo assunto enfocado.

Alguns fanzines criados na aulas de Tecnologias em Educação pelos alunos da Faculdade de Educação da UERJ.

A idéia inicial foi apresentar a oficina como proposta para práticas de ensino na escola. Pensei nesta atividade influenciado pela conhecida experiência de Freinet(1) com a imprensa escolar, quando inseriu, em sua sala de aula, uma máquina gráfica de impressão de jornais para estimular a leitura, a criação de textos e imagens pelos seus alunos, que passaram a editar um jornal escolar. Optei pelo fanzine tentando adaptar essa idéia, pensando na nossa realidade diferente da experimentada por Freinet, que comprou a máquina com meios próprios e a instalou em sua sala de aula. Não temos máquina semelhante à utilizada por Freinet, mas as tecnologias permitem que façamos os projetos em classe com diferentes maneiras de fazer (CERTEAU,1994). Outro motivo para minha escolha dos fanzines como recurso pedagógico foi minha vivência como fanzineiro no início da década de 90.

Antes da primeira aula, eu já havia planejado como iria apresentar os fanzines para as duas turmas de primeiro período com as quais estava trabalhando. Os fanzines , por fazerem parte de culturas alternativas, ou do chamado underground , talvez não fossem conhecidos por todos os alunos. Como estava prevendo um primeiro estranhamento por boa parte dos alunos, recorri ao acervo do Grupo de Pesquisa Linguagens desenhadas e educação (ProPEd/UERJ) , que contém muitos exemplares de fanzines de várias épocas. Levei estas publicações para a sala de aula e mostrei para as turmas a diversidade de temas, formatos, técnicas de montagem e impressão. Percebendo a dificuldade de alguns alunos de entenderem a estética, o movimento de fazer fanzines com a característica de expressão livre de idéias, inerente a este meio, também levei as turmas à sala do grupo de pesquisa onde apresentei, com o Prof. Paulo Sgarbi, a gibiteca para que tivessem contato com os diversos fanzines do acervo e com nosso Estúdio de Desenho, onde fazemos ilustrações e quadrinhos para textos relacionados à pesquisa em educação.

Propus, em seguida, que os alunos, organizados em grupos, escolhessem temas para criarem seus próprios fanzines nas aulas seguintes. Para que isso fosse possível, sugeri que trouxessem materiais para a sala de aula, textos e imagens para montagem das páginas com colagem. Alguns alunos desenharam e teceram seus próprios textos, ilustrações e quadrinhos, utilizando computador ou não. Simultaneamente à elaboração dos fanzines , fizemos leituras, discussões sobre mídia e educação, ideologias, linguagens, tecnologias e seus usos na educação.

O trabalho foi realizado a partir da adesão dos alunos à criação dos fanzines que foram a mim entregues no final do período após ter registrado durante as aulas algumas das etapas de criação, através de fotografias. Tentei, em parceria com os alunos, oportunizar, em sala de aula, um caminho de contraposição à ideologia quase industrial, tão comum em algumas escolas tradicionais, que supervaloriza resultados em detrimento da observação dos processos de criação (OSTROWER, 2008) e maneiras de fazer (CERTEAU, 1994).

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√ André Brown: Mestre em Educação e cartunista, membro do grupo de pesquisa “Linguagens desenhadas e educação”, coordenado por Paulo Sgarbi, do Laboratório de Educação e Imagem, coordenado por Nilda Alves, ambos no Proped / UERJ. É bolsista TCT5, da Faperj. Publica o Blog http://cartumfazescola.zip.net/ Contato: andre_brown@uol.com.br

 

Referências bibliográficas (ou textuais):

• (1)Celestin Freinet (Gars, 15 de outubro de 1896 - Vence, 8 de outubro de 1966) foi um pedagogo francês, um importante reformador da pedagogia de sua época, cujas propostas continuam uma grande referência para a educação nos dias atuais. Disponível em http://pt.wikipedia.org acesso em 11/06/2008.

• CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano – as artes de fazer. 8 ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 1994.

• GUIMARÃES, Edgard. Algo sobre fanzines. Disponível em http://kplus.cosmo.com.br/materia.asp?co=41&rv=Literatura acesso em 10/06/2009.

• OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. 22 ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2008.

GRUPOS PARTICIPANTES:   01 |  02 |  03 |  04 |  05 |  06 |  07 |  08 |  09 |  10 |  11 |  12 |  13 |  14 |  15 |  16 |  17 |  18 |     [TODOS]    ISSN: 1982-825X