![]() ano 2 número 11 / maio 2009 |
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:: Thais Vianna Maia :: < Culturas Locais > AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E A CULTURA DO ALUNO. O que apresento aqui é fazer o relato de um fato acontecido durante a observação de uma turma de Educação Infantil de um colégio da rede privada do município de São Gonçalo/RJ. Atenho-me mais especificamente a um evento especial, que foi uma festa aberta ao público, cujo tema foi: O Rio de Janeiro e suas décadas. O objetivo desse texto é analisar o modo como a cultura escolar é interiorizada nas crianças. O evento foi realizado em um domingo e perdurou o dia inteiro. Cada turma apresentou uma dança que caracterizava um aspecto cultural da cidade do Rio de Janeiro. Foi, em um determinado momento, que a turma do Maternal II surpreendeu a todos, posto que vários alunos recusaram-se a dançar. O sentimento por parte das professoras foi de decepção, acompanhado de um certo estranhamento. Mais tarde, quando questionamos uma das crianças por ela não ter dançado, o menino foi enfático: “Não era o ensaio!”. Acontecimentos inusitados como estes nos convidam a refletir sobre nossas práticas educativas. Afinal, são essas situações que nos auxiliam a ampliar nosso olhar em relação à escola, entendida não só como lugar de nosso trabalho profissional, mas, também, como espaço de pesquisa, onde no dia-a-dia revelam-se, diante de nós, novos fatos que contribuem para a repensar a nossa atuação como docentes. Analisar a prática pedagógica significa pensar o “mundo da escola”, levando sempre em consideração suas características peculiares e as múltiplas relações que os sujeitos inseridos nessa realidade mantém tanto com o espaço escolar quanto com o mundo que lhes é exterior. É, também, um convite para pensar os/as alunos/as como sujeitos complexos envolvidos em uma ampla rede de significados, produzidos pela cultura escolar e suas culturas locais (GEERTZ, 1989). Ou seja, o fato descrito acima nos permite também lembrar que os acontecimentos do cotidiano escolar se inter-relacionam com estruturas sociais mais amplas e com tradições que foram sendo incorporadas pelo grupo de estudantes e professores em ritos e costumes, que têm sua gênese em situações distantes do momento em que são vividos. (TURA, 2003). O que entendemos foi que o menino não reconheceu aquela festa como uma atividade escolar e, por isso não fez uma associação entre a apresentação final e os ensaios feitos na escola. Assim, quando ele se viu em um espaço diferente, não se reconheceu dentro daquele processo e se recusou a dançar. Ou seja, a partir desse acontecimento foi possível analisarmos alguns aspectos dos hábitos culturais dos/as alunos/as e sua relação com a escola no espaçotempo e na realidade particular em que esses se encontram inseridos (ALVES &GARCIA, 2000). . . . . . . . . . . .
√ Thais Vianna Maia: Aluna do Curso de Pedagogia/UERJ, bolsista PIBIC/UERJ, orientada por Maria de Lourdes Tura, no GRPESQ “Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura” http://www.curriculo-uerj.pro.br
Referências bibliográficas (ou textuais): • ALVES, Nilda; GARCIA, Regina Leite (orgs.). A invenção da escola a cada dia. Rio de Janeiro: DP&A, 2000. • GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan,1989. • TURA, Maria de Lourdes. A observação do cotidiano escolar. In: ZAGO, Nadir. CARVALHO, Marília Pinto de e VILELA, Rita Amélia Teixeira (orgs.) Itinerários de pesquisa: perspectivas qualitativas em Sociologia da Educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2003, p.183-206. |