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EDITORIAL Este número do nosso jornal focaliza as “leituras”, substantivo cuja singularidade é ser mesmo plural, assim como os sentidos que circulam e são captados nos mais diversos materiais, por diferentes sujeitos, nos variados contextos históricos e de situação. Agora, na sociedade multimidiática, ainda mais plural por conta da multiplicidade de textos disponíveis, fazendo inclusive com que a concepção de material de leitura (texto) seja ampliada para dar conta dos diversos materiais semióticos (linguagens) em jogo. Por ter rompido com as grades analíticas da Linguística, assumindo textos como possibilidades de aproximação dos discursos, nosso grupo de pesquisa tem trabalhado a partir do reconhecimento de que não cabe a exclusividade da linguagem verbal escrita, já que os novos textos são tecidos por palavras, imagens, sons, movimentos etc., produzindo sentidos na sua articulação. Pode ser que o foco na palavra abra as portas para alguns percursos de sentidos, enquanto a imagem sugere outros, mas todos eles são afetados pela presença da “outra linguagem”, por mais que se tente apagá-la. É esta dança de linguagens que está em questão quando o texto não é mais “sopa de letrinha”, para usar a expressão de um aluno. Na medida em que os textos mudaram, não faz sentido manter os mesmos padrões de leitura, como movimentos de sentidos produzidos na relação entre leitores e textos. Daí as incursões poéticas neste jornal, assim como a abordagem de produções no interior das escolas. Daí, também, a leitura crítica das propostas de incorporação educacional das tecnologias da informação e da comunicação (TIC), estes suportes que veiculam textos multimidiáticos, tecidos por múltiplas linguagens. Sublinhando que o acesso às TIC, com seus novos textos, é condição necessária, os artigos também destacam que ele não é suficiente, que é preciso pensar os modos pelos quais ele se realiza e os sentidos da sua utilização. Afinal, permanecem possíveis gestos como passar filmes “só para variar”, não se falando mais no assunto ou com perguntas literais à moda da criticada interpretação de textos escritos. Permanece o risco de que o computador seja reduzido a modelo mais atraente de livro didático. Permanece a necessidade de que não sejam considerados apenas os meios disponíveis para ensinar-aprender, mas, acima de tudo, as mediações: não só os materiais, mas as suas leituras. Portanto, os artigos que aqui criticam a supervalorização da presença das TIC não remetem simplesmente à sua negação, mas às propostas de substituição tecnológica em que elas têm sido inscritas: as TIC em vez de... Postas no lugar do professor, do ensino e/ou escola, podem conduzir (pretexto?) à ausência de diálogo entre os sujeitos leitores, restando os percursos individuais em lugar das sínteses integradoras produzidas coletivamente, chegando mesmo a não favorecer as trocas que permitem a nós, professores, dimensionar as diferenças instauradas pelas leituras dos novos textos nas situações concretas de ensino.
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JORNAL EDUCAÇÃO & IMAGEM
EDIÇÃO DO GRUPO
Educação e Comunicação
COORDENAÇÃO DA EDIÇÃO
Raquel Goulart Barreto